Nada melhor para homenagear os apaixonados com esse poema do meu sempre poeta preferido, Mario Quintana.
O meu primeiro amor e eu sentávamos
numa pedra
Que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas,
Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.
Crianças...
Parecia que entre um e outro nem havia
ainda separação de sexos
A nao ser o azul imenso dos olhos dela,
Olhos que eu nao encontrava em ninguem mais,
Nem no cachorro e no gato da casa,
Que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromisso
E a mesma animal-ou celestial- inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não,não importava as coisas bobas que disséssemos.
Éramos um desejo de estar perto,tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente grande passava,
caçoava,ria-se,nao sabia
Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida.
12 junho 2010
09 maio 2010
Dia das Mães
Faz tempo que não posto aqui no blog, dois anos se passaram e novamente aqui estou no dia das mães. Amo esse espaço , mas o tempo não me permite voltar aqui como gostaria. Hoje é um dia feliz. O que mais quer uma mãe do que ter seus filhos por perto, ouvir deles "eu te amo", cobri-los em noites frias, mesmo que já estejam crescidos, de namorada, cursando a faculdade? O que mais uma mãe pode querer a não ser vê-los com saúde, sorrindo, brincando, buscando seus sonhos, tendo inerentes em si o amor à vida , o respeito e dignidade? Só quero agradecer a Deus pelos filhos que tenho e pedir que os proteja sempre por onde andarem.
11 maio 2008
Dia das Mães
19 março 2008
DÚVIDAS PASCAIS
Luis Fernando Veríssimo
- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é ...... bem ...... é uma festa religiosa!
- Igual Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta, vem cá!
- Sim?
- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos ....... Mamãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma Educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Ave Maria!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma pessoa. Você vai estudar isso no catecismo. Chama-se a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus? É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entendedireito. Mas quando você for no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa? - Era, era melhor, ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia queele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa.
- Que dia e que mês?
- ??????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
- Um dia depois.
- Não, três dias.
- Então morreu na quarta-feira.
- Não, morreu na sexta-feira santa ....... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!
- Como?
- Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- É, boa pergunta. Filho, atende o telefone pro papai. Se for um tal de Rogério diz que eu saí.
- Alô, quem fala?
- Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?
- Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau. - Papai, qual era o sobrenome de Jesus? - Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
-Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!!!
- Papai, o que é Páscoa?
- Ora, Páscoa é ...... bem ...... é uma festa religiosa!
- Igual Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
- Ressurreição?
- É, ressurreição. Marta, vem cá!
- Sim?
- Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
- Mais ou menos ....... Mamãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma Educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Ave Maria!
- Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
- É filho, Jesus e Deus são a mesma pessoa. Você vai estudar isso no catecismo. Chama-se a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus? É sim.
- E Minas Gerais?
- Sacrilégio!!!
- É por isso que a Ilha da Trindade fica perto do Espírito Santo?
- Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entendedireito. Mas quando você for no catecismo a professora explica tudinho!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
- Coelho bota ovo?
- Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa? - Era, era melhor, ou então urubu.
- Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né? Que dia queele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa.
- Que dia e que mês?
- ??????? Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
- Um dia depois.
- Não, três dias.
- Então morreu na quarta-feira.
- Não, morreu na sexta-feira santa ....... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois!
- Como?
- Pergunte à sua professora de catecismo!
- Papai, por que amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
- Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
- É, boa pergunta. Filho, atende o telefone pro papai. Se for um tal de Rogério diz que eu saí.
- Alô, quem fala?
- Rogério Coelho Pascoal. Seu pai está?
- Não, foi comprar ovo de Páscoa. Ligue mais tarde, tchau. - Papai, qual era o sobrenome de Jesus? - Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, por quê?
-Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da sua professora de catecismo!!!
06 fevereiro 2008
Comemoração dupla

Hoje, dia 6 de fevereiro, comemoro Bodas de Porcelana. Ou seja, 20 anos de casamento. Nossa, como o tempo voa. Parece que foi ontem. Segundo a Wikipédia Boda é a celebração, civil ou religiosa, que celebra o casamento. Desta forma, a cada ano existe um material que representa uma nova etapa. A porcelana representa os 20 anos (espero que não quebre, hehehe...) .
A palavra boda vem do latim vota (plural de votum -promessa) referida ao fato de fazer os votos matrimoniais, com a confusão do neutro em latim vulgar perdeu seu sentido e confundiu a v por b, uma lenda atribui uma falsa etimologia a que na antiga Judéia tinha-se o costume de matar um cabrito para o churrasco nas comemorações de casamento ou aniversário de casamento. Com o tempo, o cabrito foi substituído pela fêmea do bode, cuja carne era muito mais macia. Matar a fêmea do bode, a "boda", era sinal de que haveria festa. Devido a isto o nome "boda" passou a ser sinônimo de festa, hoje em dia mais falada para casamentos.
Para cada ano existe um material que representa uma nova etapa. É tradicional na cultura ocidental, se comemorar com bodas os eventos relativos ao casamento, e com o jubileu, outros fatos marcantes da vida social. A lista completa está aqui.
Para cada ano existe um material que representa uma nova etapa. É tradicional na cultura ocidental, se comemorar com bodas os eventos relativos ao casamento, e com o jubileu, outros fatos marcantes da vida social. A lista completa está aqui.
E nada melhor do que olhar para os maiores presentes que a convivência nos trouce: nossos filhos. Coincidentemente, na data do casamento ganhamos um presente bem grande. Hoje aniversaria o Leonardo, nosso filho caçula, colorado fanático. Lindo, fofo, querido. Tudo de bom , o meu goleiro preferido.Que Deus o abençõe e proteja sempre! Só tenho a agradecer no dia de hoje.
04 fevereiro 2008
Novo Visual
O meu bloguinho do coração está meio parado devido à falta de tempo. Nessas férias resolvi dar uma mechida no layout. Meu amigo design Flávio Santi, lá do Paraná, deu uma mãozinha aí no logo do cabeçalho. Ele faz um trabalho lindo com os ônibus de bandas. Vejam no SANTI Designer. Brigadão, Flávio!
21 dezembro 2007
Natal

NATAL
Frei Betto
Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, nosfaremos presentes junto aos famintos,carentes e excluídos. Papai Noel será malhado como Judas e lacradas aschaminés, abriremos corações eportas à chegada salvítica do Menino Jesus.
Por trazer a muitos mais constrangimentos que alegrias, ficadecretado que o Natal não mais nos travestiráno que não somos: neste verão escaldante, arrancaremos da árvore de Nataltodos os algodões de falsas neves,trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais, renas e trenós porcarroças repletas de alimentos nãoperecíveis, e se algum papai noel sobrar por aí, que apareça de bermuda echinelas.
Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas,pedirão bênçãos e graças, abrindo seuscorações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários egavetas. A sobra de um é a necessidadede outro, e quem reparte bens, partilha Deus.
Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda aparafernália eletrônica, inclusive o telefone, e,recolhidos à solidão, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, láonde habita Aquele que, distinto de nós,funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos osolhos para ver melhor.
Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes enenhuma criança será mais condenadaao trabalho precoce, violência, surra ou humilhação. Todas terão direito àternura e à alegria, à saúde e à escola,ao pão e à paz, ao sonho e à beleza.
Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim deano terão o dobro de seus custos convertidosem cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abriruma bebida de valor superiorao salário mensal do empregado que a serve. Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fielconsiderará a sua religião mais perfeita quea do outro. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não hácomo professar o Pai Nosso se o pãotambém não for nosso, mas privilégio da minoria abastada.
Fica decretado que toda dieta se reverterá em benefício do pratovazio de quem tem fome, e que ninguémdará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou escusas intenções. Otempo gasto em fazer laços sejamuito inferior ao dedicado a dar abraços.
Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afetoe, dispostos a renascer com o Menino,trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, paraque o nosso coração sejaacolhedor como a manjedoura de Belém.
Fica decretado que, como os reis magos, todos daremos um voto deconfiança à estrela, para que elaconduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse,mas o da maioria, sobretudo dosque, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como umafamília sem terra, obrigados aocupar um pasto onde brilhou a esperança.
02 outubro 2007
Salmos 121
1 Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?2 O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.
3 Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormitará.
4 Eis que não dormitará nem dormirá aquele que guarda a Israel.
5 O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra ã tua mão direita.
6 De dia o sol não te ferirá, nem a lua de noite.
7 O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a tua vida.
8 O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre
09 julho 2007
O Segredo
Fonte: haryhanne.blogs.sapo.ptOntem vi o filme "O Segredo". Na verdade, não há nada de segredo na lei da atração. O que pensamos atraimos para nossa vida. Geralmente a nossa tendência é pensar nas coisas que não queremos e sem querer acabamos por atraí-las pra nós. Temos focar nosso pensamento naquilo que queremos, mentalizar nossos desejos e consequentemente as coisas boas começam a acontecer. Ao orar, agradecer ao invés de pedir, porque assim nos damos conta do quanto temos de bom em nossa vida. A alegria, a felicidade são os melhores antídotos para espantar a depressão , fortificar a auto-confiança. Determinar-se a fazer uma coisa de cada vez, aprender a dizer não àquilo que nos tira do nosso foco do momento, valorizar os momentos de encontro consigo mesmo, não achando que é perda tempo fazer nada de vez em quando. Providências que me determino a tomar para dar um jeito de melhorar alguns aspectos da minha vida. E deixo registrado aqui no meu diário pessoal para não esquecer.
27 maio 2007
A pior vontade de viver
Nesta crônica da Martha Medeiros tem muito do sentimento que quero traduzir hoje.

Ela é complexa, angustiante, subjetiva e intensa. Ela, a pior vontade de viver. A que não está disposta a negociar com a vontade dos outrosTodos são tão compreensivos, aceitam tão bem suas escolhas, torcem por tudo o que você faz, não é mesmo? Desde que você faça o que está no script. Que siga o que foi determinado no roteiro, aquele que foi escrito sabe-se lá por quem e homologado no instante mesmo em que você nasceu. Mas e quem não quiser seguir este script? Clarice Lispector, que entendia de subversões emocionais, morreu há 30 anos e recebeu uma justa homenagem na última terça-feira, no Teatro Renascença, numa performance dirigida pelo incansável Luciano Alabarse e para o qual fui convidada, mas não pude participar. Em função deste evento, estive pensando muito em Clarice e lembrei de como ela descreveu, certa vez, o sentimento de um personagem: "Seu coração enchera-se com a pior vontade de viver". Ela é complexa, angustiante, subjetiva e intensa. Ela, a pior vontade de viver. A que não está disposta a negociar com a vontade dos outros. No entanto, esta que foi chamada de a "pior" vontade pode ser também uma vontade genuína e inocente. É a vontade da criança que ainda levamos dentro, entranhada. É o desejo de açúcar, de traquinagem, de fazer algo escondido, de quebrar algumas regras, de imitar os adultos. A "pior" vontade é curiosa, quer observar pelo buraco da fechadura e depois, mais ousadamente, abrir a porta e entrar no quarto proibido. A "pior" vontade é a de não se enraizar, não assinar contrato de exclusividade, não firmar compromisso, não render-se às vontades fixas, apenas às vontades momentâneas, porque as fixas correm o risco de deixar de serem vontade para se transformarem em vaidade - como se sabe, há sempre aqueles que se envaidecem da própria persistência. A "pior" vontade não quer ganhar medalha de honra ao mérito, não quer posar para fotografias, não quer completar bodas de ouro nem ser jubilada. A "pior" vontade não faz a menor questão de ser percebida, ela quer ser realizada. É quando você sabe que não deveria, mas vai. Sabe que não será fácil, mas enfrenta. Sabe que tomarão como agressão, mas arrisca. Anote: apenas sentem-se agredidos aqueles que te invejam. A vontade oficial, a vontade santinha, a que não causa incômodo é a outra, a aprovada pela sociedade, a que não leva em conta o que vai no seu íntimo, e sim a opinião pública. É a vontade que todos nós, de certa forma, temos de mostrar para os outros que somos felizes, sem saber que para conseguir isso é preciso, antes, ter a "pior" vontade, aquela que faz você descobrir que ser feliz é ter consciência do efêmero, é saber-se capaz de agarrar o instante, é lidar bem com o que não é definitivo - ou seja, tudo. É com esta "pior" vontade de viver que você atrai os outros, que seu magnetismo cresce, que seu rosto rejuvenesce e que você fica mais interessante. É uma pena que nem todos tenham a sorte de deixar vir à tona esta que Clarice Lispector chamou de a pior vontade de viver, que, secretamente, é a melhor.
Martha Medeiros - Zero Hora 27.05.07
01 maio 2007
Ver e enxergar
Ver e não enxergar é comum;
ver e enxergar, é habilidade;
enxergar o que vê é inteligência,
mas enxergar o que não se vê, é privilégio.
Ao estudar sobre cegueira, tema de uma das disciplinas da minha especialização, veio-me em mente o quantas vezes, nós, que temos o dom da visão, somos deficientes na maneira de olhar. Quantas vezes passamos nosso dia apressado e vemos tantas coisas, mas não as "enxergamos", desde o sol que se oferece radiante, as estrelas que bordam o céu, a nossa pessoa mais próxima que deseja passar uma mensagem silenciosa, a qual ignoramos. O ditado diz: "Em terra de cego, quem tem um olho é rei." Faltou dizer que esse olho precisa enxergar, além de ver.
17 abril 2007
Sobre o entusiasmo

Autoria ainda desconhecida
A palavra entusiasmo vem do grego e significa: "Ter um deus dentro de si".
Os gregos eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. A pessoa entusiasmada era aquela que era possuída por um dos deuses e por causa disso poderia transformar a natureza e fazer as coisas acontecerem. Assim se você fosse entusiasmado por Ceres (deusa da Agricultura), você seria capaz de fazer acontecer a melhor colheita, e assim por diante. Segundo os gregos, só pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios do cotidiano. Era preciso, portanto, entusiasmar-se.
Assim o entusiasmo é diferente do otimismo. Otimismo significa eu acreditar que uma coisa vai dar certo. Talvez até torcer para que ela dê certo. Muita gente confunde otimismo com entusiasmo. No mundo de hoje é preciso ser entusiasmado. A pessoa entusiasmada é aquela que acredita na sua capacidade de transformar as coisas, de fazer dar certo.
Entusiasmada é a pessoa que acredita em si. Acredita nos outros. Acredita na força que as pessoas têm de transformar o mundo e a própria realidade. E só há uma maneira de ser entusiasmado. É agir entusiasticamente! Se formos esperar ter as condições ideais primeiro, para depois nos entusiasmarmos, jamais nos entusiasmaremos com coisa alguma, pois sempre teremos razões para não nos entusiasmarmos.
Não é o sucesso que traz o entusiasmo, é o entusiasmo que traz o sucesso. Conheço pessoas que ficam esperando as condições melhorarem, a vida melhorar, o sucesso chegar, para depois se entusiasmarem. A verdade é que jamais se entusiasmarão com coisa alguma. O entusiasmo é que traz a nova visão da vida.
01 abril 2007
Um artigo oportuno para refletir
SOS Educação!
SOFIA CAVEDON/ Vereadora de Porto Alegre (PT)
Tornaram-se cotidianas neste início de ano letivo as manifestações de pais, alunos, professores e funcionários tomando ruas, abraçando as escolas, paralisando aulas. Suas reivindicações? Singelas e básicas: professores para dar aulas, merendeiras para preparar os alimentos, verbas para folhas, troca de lâmpadas, material de limpeza. O prejuízo já se pode contabilizar: alunos com períodos reduzidos ou há um mês sem aulas e mal alimentados, professores desmotivados com a superlotação de turmas e o improviso constante de atendimento, bibliotecas fechadas e ausência de apoio dos setores como supervisão e orientação escolar. Por outro lado, os novos alunos do Ensino Fundamental, tanto de seis quanto os de sete anos na primeira série, estão enfrentando toda a sorte de insegurança: ou os pais seguem peregrinando de escola em escola pois não existem vagas ou a escola designada exige ônibus pela distância ou ainda está matriculada mas não chegou a professora! Os funcionários de limpeza e da cozinha simplesmente foram retirados! As novas direções das escolas estaduais eleitas no final do ano passado passaram janeiro e fevereiro limpando e organizando elas próprias, com os parcos recursos, a fim de bem receber os alunos no início do ano! Acrescente-se a este quadro os assaltos e violência contra as escolas e teremos que reconhecer que a Educação estadual passa pela maior crise já vivida! E será que tudo pode ser explicado pelo "ajuste" que a anunciada crise do Estado exige? Mesmo que assim fosse, desde 1º de janeiro já deveria ter sido construída com cada direção de escola a reorganização necessária para o início do ano letivo. Não dá para aceitar que a Secretaria afirme em final de março que o problema é que os professores estão mal lotados! Nem que as previsões não estivessem prontas pelo governo anterior e que uma boa transição não tenha sido feita de um governo para o outro. O ex-secretário da Educação deve muita explicação sobre os quatro meses de recursos não repassados, sobre a absoluta falta de preparo da rede para o ingresso aos seis anos, sobre o abandono da estrutura física das escolas e tantas outras omissões. O que estamos assistindo, na verdade, é mais um descaso com a educação! É talvez a necessidade de estabelecer o caos para rebaixar as exigências! Tanto no velho quanto no novo jeito de governar a educação de fato não é prioridade!
Fonte: Zero Hora
21 março 2007
27 dezembro 2006
Recebi e me fez refletir muito
A Alma dos Diferentes
Artur da Távola
Ah, o diferente, esse ser especial!
Diferente não é quem pretenda ser.
Esse é um imitador do que ainda não foi imitado,
nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado
de alguns mais e de alguns menos em hora,
momento e lugar errados para os outros.
Que riem de inveja de não serem assim.
E de medo de não agüentar,
caso um dia venham a ser.
O diferente é um ser sempre
mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato.
Mas é sempre confundido
por pessoas menos sensíveis e avisadas.
Supondo encontrar um chato
onde está um diferente,
talentos são rechaçados;
vitórias, adiadas;
esperanças, mortas.
Um diferente medroso, este sim,
acaba transformando-se num chato.
Chato é um diferente que não vingou.
Os diferentes muito inteligentes
percebem porque os outros
não os entendem.
Os diferentes raivosos
acabam tendo razão sozinhos,
contra o mundo inteiro.
Diferente que se preza entende
o porquê de quem o agride.
Se o diferente se mediocrizar,
mergulhará no complexo de inferioridade.
O diferente paga sempre o preço de estar -
mesmo sem querer -
alterando algo, ameaçando rebanhos,
carneiros e pastores.
O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual,
a inveja do comum, o ódio do mediano.
O verdadeiro diferente
sabe que nunca tem razão,
mas que está sempre certo.
O diferente começa a sofrer cedo,
já no primário, onde os demais, de mãos dadas,
e até mesmo alguns adultos,
por omissão, se unem para transformar
o que é peculiaridade e potencial
em aleijão e caricatura.
O que é percepção aguçada em:
"Puxa, fulano, como você é complicado".
O que é o embrião de um estilo próprio em:
"Você não está vendo como todo
mundo faz?"
O diferente carrega desde cedo apelidos
e marcações os quais acaba incorporando.
Só os diferentes mais fortes do que o mundo
se transformaram (e se transformam)
nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso.
O que sente antes mesmo dos demais
começarem a perceber.
Diferente é o que se emociona
enquanto todos em torno,
agridem e gargalham.
É o que engorda mais um pouco;
chora onde outros xingam;
estuda onde outros burram.
Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem.
Sonha entre realistas.
Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião de bêbados.
Cria onde o hábito rotiniza.
Sofre onde os outros ganham.
Diferente é o que fica doendo
onde a alegria impera.
Aceita empregos que ninguém supõe.
Perde horas em coisas que
só ele sabe importantes.
Engorda onde não deve.
Diz sempre na hora de calar.
Cala nas horas erradas.
Não desiste de lutar pela harmonia.
Fala de amor no meio da guerra.
Deixa o adversário fazer o gol,
porque gosta mais de jogar do que de ganhar.
Ele aprendeu a superar riso,
deboche, escárnio,
e consciência dolorosa de
que a média é má porque é igual.
Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados,
magros demais, inteligentes em excesso,
bons demais para aquele cargo,
excepcionais, narigudos, barrigudos,
joelhudos, de pé grande, de roupas erradas,
cheios de espinhas, de mumunha,
de malícia ou de baba.
Aí estão, doendo e doendo,
mas procurando ser, conseguindo ser,
sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes
que eles guardam para os pouco capazes
de os sentir e entender.
Nossas moradas estão
tesouros da ternura humana.
De que só os diferentes são capazes.
Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte
para suportá-lo depois.
08 outubro 2006
O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER

ANALFABETO POLÍTICO
Berthold Brecht
O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos,
que é o político vigarista,
pilantra, corrupto e o lacaio
das empresas nacionais e multinacionais.
29 setembro 2006
DO FREI BETTO
DEZ CONSELHOS PARA OS
MILITANTES DE ESQUERDA
Em: 24 / 01 / 2002
"A vida é o dom maior de Deus.
A existência da pobreza clama aos céus."
1. Mantenha viva a indignação.
Verifique periodicamente se você é mesmo de esquerda. Adote o critério de Norberto Bobbio: a direita considera a desigualdade social tão natural quanto a diferença entre o dia e a noite. A esquerda encara-a como uma aberração a ser erradicada.
Cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus social-democrata, cujos principais sintomas são usar métodos de direita para obter conquistas de esquerda e, em caso de conflito, desagradar aos pequenos para não ficar mal com os grandes.
2. A cabeça pensa onde os pés pisam.
Não dá para ser de esquerda sem "sujar" os sapatos lá onde o povo vive, luta, sofre, alegra-se e celebra suas crenças e vitórias. Teoria sem prática é fazer o jogo da direita.
3. Não se envergonhe de acreditar no socialismo.
O escândalo da Inquisição não faz os cristãos abandonarem os valores e as propostas do Evangelho. Do mesmo modo, o fracasso do socialismo no Leste europeu não deve induzi-lo a descartar o socialismo do horizonte da história humana.
O capitalismo, vigente há 200 anos, fracassou para a maioria da população mundial. Hoje, somos 6 bilhões de habitantes. Segundo o Banco Mundial, 2,8 bilhões sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. E 1,2 bilhão, com menos de US$ 1 por dia. A globalização da miséria só não é maior graças ao socialismo chinês que, malgrado seus erros, assegura alimentação, saúde e educação a 1,2 bilhão de pessoas.
4. Seja crítico sem perder a autocrítica.
Muitos militantes de esquerda mudam de lado quando começam a catar piolho em cabeça de alfinete. Preteridos do poder, tornam-se amargos e acusam os seus companheiros(as) de erros e vacilações. Como diz Jesus, vêem o cisco do olho do outro, mas não o camelo no próprio olho. Nem se engajam para melhorar as coisas. Ficam como meros espectadores e juízes e, aos poucos, são cooptados pelo sistema.
Autocrítica não é só admitir os próprios erros. É admitir ser criticado pelos(as) companheiros(as).
5. Saiba a diferença entre militante e "militonto".
"Militonto" é aquele que se gaba de estar em tudo, participar de todos os eventos e movimentos, atuar em todas as frentes. Sua linguagem é repleta de chavões e os efeitos de sua ação são superficiais.
O militante aprofunda seus vínculos com o povo, estuda, reflete, medita; qualifica-se numa determinada forma e área de atuação ou atividade, valoriza os vínculos orgânicos e os projetos comunitários.
6. Seja rigoroso na ética da militância.
A esquerda age por princípios. A direita, por interesses. Um militante de esquerda pode perder tudo a liberdade, o emprego, a vida. Menos a moral. Ao desmoralizar-se, desmoraliza a causa que defende e encarna. Presta um inestimável serviço à direita.
Há pelegos disfarçados de militante de esquerda. É o sujeito que se engaja visando, em primeiro lugar, sua ascensão ao poder. Em nome de uma causa coletiva, busca primeiro seu interesse pessoal.
O verdadeiro militante como Jesus, Gandhi, Che Guevara é um servidor, disposto a dar a própria vida para que outros tenham vida. Não se sente humilhado por não estar no poder, ou orgulhoso ao estar. Ele não se confunde com a função que ocupa.
7. Alimente-se na tradição da esquerda.
É preciso oração para cultivar a fé, carinho para nutrir o amor do casal, "voltar às fontes" para manter acesa a mística da militância. Conheça a história da esquerda, leia (auto)biografias, como o "Diário do Che na Bolívia", e romances como "A Mãe", de Gorki, ou "As Vinhas de Ira", de Steinbeck.
8. Prefira o risco de errar com os pobres a ter a pretensão de acertar sem eles.
Conviver com os pobres não é fácil. Primeiro, há a tendência de idealizá-los. Depois, descobre-se que entre eles há os mesmos vícios encontrados nas demais classes sociais. Eles não são melhores nem piores que os demais seres humanos. A diferença é que são pobres, ou seja, pessoas privadas injusta e involuntariamente dos bens essenciais à vida digna. Por isso, estamos ao lado deles. Por uma questão de justiça.
Um militante de esquerda jamais negocia os direitos dos pobres e sabe aprender com eles.
9. Defenda sempre o oprimido, ainda que aparentemente ele não tenha razão.
São tantos os sofrimentos dos pobres do mundo que não se pode esperar deles atitudes que nem sempre aparecem na vida daqueles que tiveram uma educação refinada.
Em todos os setores da sociedade há corruptos e bandidos. A diferença é que, na elite, a corrupção se faz com a proteção da lei e os bandidos são defendidos por mecanismos econômicos sofisticados, que permitem que um especulador leve uma nação inteira à penúria.
A vida é o dom maior de Deus. A existência da pobreza clama aos céus. Não espere jamais ser compreendido por quem favorece a opressão dos pobres.
10. Faça da oração um antídoto contra a alienação.
Orar é deixar-se questionar pelo Espírito de Deus. Muitas vezes deixamos de rezar para não ouvir o apelo divino que exige a nossa conversão, isto é, a mudança de rumo na vida. Falamos como militantes e vivemos como burgueses, acomodados ou na cômoda posição de juízes de quem luta.
Orar é permitir que Deus subverta a nossa existência, ensinando-nos a amar assim como Jesus amava, libertadoramente.
Frei Betto é escritor, autor de la novela "Entre todos los hombres" (Editorial Caminos, La Habana), entre otros libros.
Fonte:www.mur.com.br Frei Betto
MILITANTES DE ESQUERDA
Em: 24 / 01 / 2002
"A vida é o dom maior de Deus.
A existência da pobreza clama aos céus."
1. Mantenha viva a indignação.
Verifique periodicamente se você é mesmo de esquerda. Adote o critério de Norberto Bobbio: a direita considera a desigualdade social tão natural quanto a diferença entre o dia e a noite. A esquerda encara-a como uma aberração a ser erradicada.
Cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus social-democrata, cujos principais sintomas são usar métodos de direita para obter conquistas de esquerda e, em caso de conflito, desagradar aos pequenos para não ficar mal com os grandes.
2. A cabeça pensa onde os pés pisam.
Não dá para ser de esquerda sem "sujar" os sapatos lá onde o povo vive, luta, sofre, alegra-se e celebra suas crenças e vitórias. Teoria sem prática é fazer o jogo da direita.
3. Não se envergonhe de acreditar no socialismo.
O escândalo da Inquisição não faz os cristãos abandonarem os valores e as propostas do Evangelho. Do mesmo modo, o fracasso do socialismo no Leste europeu não deve induzi-lo a descartar o socialismo do horizonte da história humana.
O capitalismo, vigente há 200 anos, fracassou para a maioria da população mundial. Hoje, somos 6 bilhões de habitantes. Segundo o Banco Mundial, 2,8 bilhões sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. E 1,2 bilhão, com menos de US$ 1 por dia. A globalização da miséria só não é maior graças ao socialismo chinês que, malgrado seus erros, assegura alimentação, saúde e educação a 1,2 bilhão de pessoas.
4. Seja crítico sem perder a autocrítica.
Muitos militantes de esquerda mudam de lado quando começam a catar piolho em cabeça de alfinete. Preteridos do poder, tornam-se amargos e acusam os seus companheiros(as) de erros e vacilações. Como diz Jesus, vêem o cisco do olho do outro, mas não o camelo no próprio olho. Nem se engajam para melhorar as coisas. Ficam como meros espectadores e juízes e, aos poucos, são cooptados pelo sistema.
Autocrítica não é só admitir os próprios erros. É admitir ser criticado pelos(as) companheiros(as).
5. Saiba a diferença entre militante e "militonto".
"Militonto" é aquele que se gaba de estar em tudo, participar de todos os eventos e movimentos, atuar em todas as frentes. Sua linguagem é repleta de chavões e os efeitos de sua ação são superficiais.
O militante aprofunda seus vínculos com o povo, estuda, reflete, medita; qualifica-se numa determinada forma e área de atuação ou atividade, valoriza os vínculos orgânicos e os projetos comunitários.
6. Seja rigoroso na ética da militância.
A esquerda age por princípios. A direita, por interesses. Um militante de esquerda pode perder tudo a liberdade, o emprego, a vida. Menos a moral. Ao desmoralizar-se, desmoraliza a causa que defende e encarna. Presta um inestimável serviço à direita.
Há pelegos disfarçados de militante de esquerda. É o sujeito que se engaja visando, em primeiro lugar, sua ascensão ao poder. Em nome de uma causa coletiva, busca primeiro seu interesse pessoal.
O verdadeiro militante como Jesus, Gandhi, Che Guevara é um servidor, disposto a dar a própria vida para que outros tenham vida. Não se sente humilhado por não estar no poder, ou orgulhoso ao estar. Ele não se confunde com a função que ocupa.
7. Alimente-se na tradição da esquerda.
É preciso oração para cultivar a fé, carinho para nutrir o amor do casal, "voltar às fontes" para manter acesa a mística da militância. Conheça a história da esquerda, leia (auto)biografias, como o "Diário do Che na Bolívia", e romances como "A Mãe", de Gorki, ou "As Vinhas de Ira", de Steinbeck.
8. Prefira o risco de errar com os pobres a ter a pretensão de acertar sem eles.
Conviver com os pobres não é fácil. Primeiro, há a tendência de idealizá-los. Depois, descobre-se que entre eles há os mesmos vícios encontrados nas demais classes sociais. Eles não são melhores nem piores que os demais seres humanos. A diferença é que são pobres, ou seja, pessoas privadas injusta e involuntariamente dos bens essenciais à vida digna. Por isso, estamos ao lado deles. Por uma questão de justiça.
Um militante de esquerda jamais negocia os direitos dos pobres e sabe aprender com eles.
9. Defenda sempre o oprimido, ainda que aparentemente ele não tenha razão.
São tantos os sofrimentos dos pobres do mundo que não se pode esperar deles atitudes que nem sempre aparecem na vida daqueles que tiveram uma educação refinada.
Em todos os setores da sociedade há corruptos e bandidos. A diferença é que, na elite, a corrupção se faz com a proteção da lei e os bandidos são defendidos por mecanismos econômicos sofisticados, que permitem que um especulador leve uma nação inteira à penúria.
A vida é o dom maior de Deus. A existência da pobreza clama aos céus. Não espere jamais ser compreendido por quem favorece a opressão dos pobres.
10. Faça da oração um antídoto contra a alienação.
Orar é deixar-se questionar pelo Espírito de Deus. Muitas vezes deixamos de rezar para não ouvir o apelo divino que exige a nossa conversão, isto é, a mudança de rumo na vida. Falamos como militantes e vivemos como burgueses, acomodados ou na cômoda posição de juízes de quem luta.
Orar é permitir que Deus subverta a nossa existência, ensinando-nos a amar assim como Jesus amava, libertadoramente.
Frei Betto é escritor, autor de la novela "Entre todos los hombres" (Editorial Caminos, La Habana), entre otros libros.
Fonte:www.mur.com.br Frei Betto
10 setembro 2006
06 setembro 2006
Una bella canzone che mi piace
Amo música italiana
Pause a música d oblog no lado esquerdo para ouvir essa.
17 agosto 2006
Parabéns, Internacional
Parabéns, Internacional
Campeão da Libertadores da América 2006
Rafael Sobis Fernandão
Meus ídolos
Espírito de coletividade, vitória garantida! Amei!!!
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